♥ Vento que tudo leva.♥

 


Vento que tudo leva.


Naquele mês de junho em pleno inverno com seus ventos frios e constantes, Marina estava de férias com sua vó e apaixonara por uma bela e exótica flor que parecia uma bonequinha de cabelos brancos e assim todos os dias, ela visitava a florzinha e tocava de leve seus cabelos como se a fizesse ninar, como sua vó fazia todas as noites com ela.


Porém naquela manhã um vento assanhado e malcriado passou pelo jardim, as flores minúsculas se quebraram diante os olhos assustados da menina, que em prantos entrou pela casa desesperada e maldizendo o vento, que tudo levava até os passarinhos se esconderam naquele dia.


Tão logo a vó ouviu, correu ao encontro e a abraçando, quis saber o que se passava. Entre soluços Marina balbuciava pragas contra o vento com reprovações da avó, dizendo que eram coisas de Deus e saiu com ela, para mostrar o moinho, que girava pela força do vento e produzia a energia para a casinha. O vento não era assim tão ruim dizia ela.


Mas a menina soluçando, mostrou para a vó uma pequena flor branca, maltratada pelo vento e dizia à sua vó, que ela era sua filha em forma de uma boneca de cabelos brancos lisos. Só então que a vó entendeu o desespero da netinha e a levou para ver que outras flores como aquela, no outro lado da casa e que lá estavam perfeitas e protegidas contra os ventos e que ela poderia adotar outra flor e dedicar seus carinhos.


Marina curiosa sorriu para vó e logo foi se encontrar com uma das flores, que estava mais baixa e deu um beijo nela e começou a cantar a mesma canção, que ela cantava todas as noites para ela dormir. A vó movida de emoção ouvia e deixou cair uma lágrima. Sorrindo se dirigiu para a cozinha, muito encantada com a meiguice da netinha e tratou logo de terminar um bolo de cenouras para agradar a netinha.


Toninho.
Junho/2015

♥ Trapezistas ♥




(Anne Lieri)

Voam no céu trapezistas
No alto do picadeiro
São verdadeiros artistas
Corajosos e altaneiros!

O circo se paralisa
Com as manobras radicais
Sobem, descem, sintonizam
E a plateia pede mais.

Aplaudem a bela artista,
Grita o menino também,
Faz um salto a trapezista
Cai nos braços do seu bem!

É preciso confiança,
Bastante concentração,
No trapézio a vigilância
É questão de atenção!

Nesse circo voador
Há suspense e emoção
O trapézio tem valor
Se feito com todo amor!



♥URSINHO BRIGUENTO ♥






 URSINHO BRIGUENTO

Hull de La Fuente
Na floresta, dois ursinhos,
passeiam catando fruta
são ambos engraçadinhos
mas adoram uma disputa.

Um gosta muito de amora
o segundo de pescar
e brigam a qualquer hora
pra dona Ursa os separar.

O menor é mais briguento,
qualquer dá cá esta palha,
O nosso ursinho birrento,
diz que é atleta e que malha.

Chama logo para a briga
o irmão fica olhando:
-vamos parar com intriga
e continuar brincando.

Mais um dia de folguedo
Está quase terminando
E o nosso urso azedo
Já cai no sono roncando.


 

♥A coruja viajante ♥


Teresa Cristina/Flor de Caju


Dentro, muito dentro da floresta viviam as corujas. E toda noite elas acordavam, fosse noite estrelada, fosse noite de completa escuridão, ah, em noites de luar elas agitavam as asas e voavam acordando a todos os animais.


Mas as noites chegavam ao fim. E nessa noite, era já quase madrugada quando...


Vruckt! Passa de repente uma coruja branca num agitado rufar de asas.


Uma coruja velha pergunta:


_ Aonde vais, querida? (disse preocupada por uma coruja querer andar quase em horas de o sol nascer).


_ Vou viajar e conhecer o mundo, disse a coruja colocando a mala no chão. E sentou em cima dela muito calma.


A floresta se calou por medo do que poderia acontecer com essa mudança de hábitos das corujas. Imagine se outros animais resolvessem também viajar? Ai, ai! A floresta ficaria diferente. E agora, quem iria piar nos galhos da velha árvore de pau-brasil?
Meu Deus, que desastre! Que desastre!


Lá para o nascente, os gaviões começaram a erguer as poderosas asas para o voo matinal em que fiscalizavam tudo, inclusive os animais da floresta.


Mas a coruja mesmo sabendo que seria perseguida pelo gavião, resolveu partir.


E viajou ainda na madrugada para ganhar tempo.


Vruckt -vruckt! Faziam suas asas no silêncio da manhã que ia quase nascendo.


Quando percebeu estava numa cidade pequena, mas as torres da igreja alta.


_ É para lá que vou, pensou a coruja e arrastou sua mala num voo deslizante céu abaixo.


Naquele instante. o padre batia o sino chamando para a oração matinal.


_Que badalar alto de sinos!_ Resmungou a coruja, que desistiu de fixar moradia na torre da igreja.


Resolveu voar mais um pouco antes do sol nascer completamente.


Nisso, chegou numa fazenda com o cantar dos galos. “Cocorocó”, gritava um galo de grandes esporões bem no terreiro.


_ Uau, minha santa mãezinha! Esse bicho deve passar o dia fazendo barulho e como vou dormir? Falou para si a coruja já cansada de voar com sua mala.


Finalmente, quase o sol despontando por trás das árvores, a coruja avistou um fazendeiro com um balde subindo a porteira do curral.


_ Mooom! , mugiam as vacas.


A coruja gostou daqueles animais tão gordos e grandes e com um som estranhamente de quem não se importa com o homem mexendo em suas tetas para tirar leite.


Olhou ainda do alto e viu uma mulher pela janela da cozinha. Vinha um cheiro de alimento tão bom e se ouviu:


_ O café está quentinho! Venha, José, que está na mesa.


A coruja baixou e pousou numa madeira da cerca. Olhou de lado, virando seu pescoço e esperou para ver quem era o José.


_ Meu pai do céu!


Thuckt-thuckt! Thuckt-thuckt! Fazia o trenzinho que um menino pilotava. “Atenção, Seu maquinista, bota fogo na fornalha!”, a coruja ouviu o menino gritar na brincadeira do trenzinho de plástico.


A coruja nem quis saber de mais nada. Pegou sua mala e resolveu voltar o mais rápido para casa.


Quando chegou, não falou coisa alguma. Não contou do sino da igreja, nem do cocorocó do galo e muito menos que ficara apavorada com um menino brincando de trenzinho. Pois chegou num voo silencioso, colocou a mala num canto de um galho e fechou os olhos para descansar.


Nunca mais se ouviu dentro da floresta que a coruja quisesse viajar. E ninguém até hoje sabe por que as corujas ficam escondidas dentro da floresta ou da mata. Eu só descobri que a coruja viajou e voltou sem abrir a mala por, acreditem se quiser, eu sonho com os animais da mata brasileira todas as noites. Parece mentira, mas é possível acreditar.


Flipt-flit, flopt, flopt! Que a história terminou!